14 março 2016
Ser mãe muitas vezes é ser sozinha
Há alguns dias comecei a relembrar o passado, e me dei conta de como minha vida mudou de uns 5 anos pra cá. Pessoas que eu imaginei que sempre estariam presentes na minha vida se afastaram, amigos me magoaram, outros que estavam distantes, hoje são super presentes. Meus país com quem vivia em conflito hoje são meu alicerce. Eu virei dona de casa, sou mãe e vivo um amor com o qual sempre sonhei mas achava que seria impossível depois de tantas decepções.
Algumas mudanças me surpreenderam e me magoaram muito, ver uma pessoa que estava sempre ali do seu lado, nos bons e nos mals momentos, partilhando da sua vida, convivendo com minha família, próxima, dividindo tudo, que eu imaginava que com o tempo, com o nosso amadurecimento, isso só ia fortalecer mais o vínculo de amizade, hoje em dia é como uma pessoa estranha pra mim.
A maternidade me abriu os olhos, me fez entender que o amor é algo puro e que tem que vir de graça, foi através dela que eu comecei a ver as pessoas como elas realmente são, e a partir daí ver quem realmente se importava comigo.
Foi duro enxergar e aceitar essa realidade, doeu muito, chorei dias, ainda hoje choro quando lembro, porque eu queria que fosse eterno, porque quando eu gosto, “EU GOSTO”, quem me conhece sabe que sou assim, sou pessoa de poucas amizades, as poucas que tenho valorizo, e essas poucas hoje se foram.
Hoje em dia não tenho mais com quem dividir minhas angústias, dúvidas e até alegrias. Ninguém mais sabe o que eu passo, como este texto que li no facebook (link do texto), que dizia que ser mãe era ser sozinha, e realmente é verdade, sozinha pelo fato que os amigos todos vão embora, se afastam, não te ligam pra saber como você está, pra te convidar para as coisas. Talvez porque acham que “seu filho vai te atrapalhar”, ou porque você não vai querer ir.
Filho não impede a gente de fazer nada, uma dica pra você que não tem filhos... Não tente adivinhar a resposta da mãe, você pode achar que ela vai dizer não pro seu convite, e se engana, porque a maioria das vezes, esse convite era tudo que sua amiga “mãe” precisava.
Porque não é fácil ser mãe, como eu, ficar 24 horas cuidando do bebê, da casa, do marido e não ter ninguém com quem conversar. Ninguém que digo é alguém deferente. E não quero que pensem que eu estou reclamando da minha vida. Não, isso jamais. Apenas estou dizendo que viver nesta rotina que eu vivo, é muito solitário.
Porque eu tenho meu marido que se transformou no meu melhor amigo, é ele que ouve minhas queixas e alegrias, é com ele que compartilho tudo. Mas sabe, precisamos ver outras pessoas, falar com outras pessoas, ter outro tipo de conversas.
O que me ajudou nesse tempo todo foi o grupo no facebook que participo, um grupo de mulheres que engravidaram na mesma época que eu. Estou la desde descobri a gravidez, elas se tornaram minhas amigas, são elas que me ouvem, é com elas que compartilho tudo, as alegrias, inseguranças, tanto em relação ao meu filho como na minha vida. Algumas até se tornaram amigas reais, já fizemos encontros e nos conhecemos pessoalmente, e outras, mesmo nunca tendo visto, são grandes amigas minhas hoje, muito mais presente na minha vida do que as amizades que tinha antes da gravidez.
Então você minha amiga que está lendo este texto e que se sente sozinha como eu, faça isso, procure um grupo no facebook, você vai ver como vai melhorar.
Mas também , apesar de lamentar muito por perder essas amizades, por ficar muito triste ao ver como tudo isso aconteceu, eu me consolo em saber que se isso aconteceu é porque a amizade não era verdadeira, ou sei lá, pensando positivamente, até era verdadeira, mas não profunda o suficiente para prosseguir. Sabe aquele ditado que diz “Se você ama alguma coisa ou alguém, deixe que parta. Se voltar é porque é seu, se não é porque jamais seria”. Então, é exatamente isso.
Claro que a gente lamenta quando há alguma mudança na nossa vida, porque quando gostamos é de verdade, mas tem mudanças que vem para o bem. Por isso o jeito é aceitar as mudanças, conviver com a realidade e aceitar que aquilo não era seu.
Devemos praticar o desapego, não só com coisas e objetos, mas também na vida. Desapegar de pessoas que não nos acrescentam nada, que nos poem para baixo e que não se importam conosco.
Só espero de coração que isso não se repita com elas quando virarem mães, porque ninguém merece ser sozinho.
Se você está lendo este texto, não é mãe, mas tem uma amiga que é… Vai lá, pega o telefone, liga pra sua amiga ou pelo menos mande uma mensagem, diga pra ela que apesar da vida corrida, que todos nós temos, você não se esqueceu dela. Peça desculpas por ter sumido e por não participar tanto da vida dela e do seu filho(a). Diga que vai tentar ser uma amiga mais presente à partir de hoje.
Tenho certeza que quando você disser essas palavras pra ela, lagrimas vão escorrer pelo rosto de sua amiga, e ela vai dizer que sentia muito sua falta e que há muito tempo esperava por isso.
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